Novo Cadoro é reaberto na Augusta com ar moderno
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Ao lado da porta, de uniforme, ele discretamente mexe os pés. De vez em quando, dá uma voltinha, para as pernas não cansarem. Mario Spolaor, descendente de italianos, tem 68 anos e é mensageiro no Ca’d’Oro.

Ele, que entrou na empresa em 1979 ficou até o fechamento do hotel, em 2009, foi convidado “pelo patrãozinho” para retornar no novo projeto – e fica com os olhos cheios d’água ao contar. “A gente se emociona com as lembranças. Agora é assim, mais moderno, mas os pratos, os quadros, o piano são antigos. Muitos pianistas famosos já o tocaram”, diz em referência ao piano de cauda Erard, de 1870, no salão do restaurante.

Os objetos, mantidos em depósitos durante esse período, foram realocados na tentativa de trazer a atmosfera do antigo Ca’d’Oro. O primeiro hotel cinco estrelas da cidade, que funcionou por 30 anos na rua Augusta, reabre as portas em nova versão nesta segunda-feira (10), no mesmo endereço.

A função foi dada aos objetos de arte porque o espaço é totalmente diferente. Aquele edifício foi demolido e deu espaço para duas modernas torres, de fachada espelhada, construídas pela Brookfield, uma residencial e uma comercial.

No edifício comercial há escritórios do segundo ao 18º andar. O hotel ocupa o primeiro andar (no térreo fica o restaurante) e o trecho entre 19º e 27º andares (onde estão os apartamentos, separados em três categorias e com diárias custando de R$ 450 a R$ 1.700). As duas partes têm entradas separadas, hóspedes e executivos não se encontram nos andares.

O Ca’d’Oro atual é muito menor do que o primeiro, que chegou a ter 400 quartos. “São 147 apartamentos hoje, o que torna mais fácil ter um serviço personalizado, que sempre foi a nossa filosofia de hotelaria”, diz o gerente Fabrizio Guzzoni, neto do fundador.

Na época da compra do terreno, a Brookfield encomendou uma pesquisa e constatou que a cidade não lançava hotéis há uma década. Isso, unido à comoção do fechamento do Ca’d’Oro, incentivou a parceria com a família Guzzoni. “Mas aquela região não era mais espaço para um hotel tão grande e cinco estrelas, o centro de negócios da cidade havia mudado de lugar [para a Berrini]”, diz Ricardo Laham, diretor de unidade de negócios da Brookfield.

Uma proposta de menos estrelas (agora são quatro), tarifas e quartos menores parecia se adequar mais ao Baixo Augusta, que interessa por seu “rejuvenescimento” e pela proximidade com os serviços públicos, jurídicos e a bolsa de valores.

“Sempre fomos daqui, e a história da região e do hotel se misturam: tanto do auge como do momento difícil. Agora, as pessoas estão voltando a frequentar o centro e vamos contribuir com a nossa parte”, diz Guzzoni.

RECEITAS ITALIANAS

“O restaurante sempre teve uma importância grande dentro do Ca’d’Oro, afinal, foi assim que o negócio começou, em 1953”, diz o gerente.

O cardápio mudou pouco, e reúne receitas do norte da Itália. O bollito misto, por exemplo, icônico cozido de carne e legumes, será servido como antigamente: em um carrinho a circular pelo salão (R$ 85). “Estamos testando as receitas há três meses, para chegar ao sabor original”, diz Guzzoni, que trouxe o chef, Ednaldo Barreto Reis, que integrava a equipe anterior.

O espaço, de 80 lugares, já está recebendo reservas (e funciona em soft opening).

HOTEL CA’D’ORO R. Augusta, 129, Consolação, São Paulo, tel. (11) 3236-4300

Fonte: https://folha.com/no1821436

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